segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A cozinha da Bel


Cozinha nunca foi meu forte. Sempre fui boa de garfo. Mas cozinhar nunca foi minha praia. Quando ainda morava com meus pais, há muito tempo atrás, meu campo de atuação era restrito às saladas, ao arroz e ao café.
Quando saí de casa, troquei o fogão pelo telefone: me tornei cliente assídua de qualquer delivery: pizza, comida chinesa, japonesa, sanduiche...
Aos poucos, isso tem passado. De vez em quando me aventuro na cozinha e faço uma sopinha de legumes, batata assada... nada demais. Mas um belo dia, acordei com desejo de comer Pescada Amarela. Este era um dos meus pratos prediletos na época em que morava em Fortaleza. Por isso, passei no supermercado, comprei o filé do peixe, azeite e alcaparra e fui para casa da minha mãe (minha cobaia para essas raras incursões culinárias). Meu peixe fez tanto sucesso que ela pediu que eu fizesse no jantar de seu aniversário. E eu fiz, cheia de orgulho!
No Natal, inventei de tentar fazer um arroz que comi um dia no Outback: ele tem amêndoas, champignon e fuçando na internet descobri que não é cozinho em água, mas champagne). Modéstia a parte, ficou um espetáculo.
E aos poucos, estou cada vez mais me envolvendo no mundo culinário. Mais uma coisinha que tenho adotado graças a minha família: meu pai é um verdadeiro chef de cozinha (já escrevi aqui milhares de vezes sobre isso). A comida que minha mãe faz é inigualável. E meus irmãos... também têm o dom.
E porque eu estou começando a curtir essa onda culinária, marquei um jantarzinho na minha casa na última sexta. O engraçado é que boa parte dos meus amigos fez uma cara incrédula quando eu disse que a comida seria por minha conta. Ninguém acreditava que eu sabia cozinhar.
Bem, depois de várias garrafas de vinho, música agradável e muita conversa inútil (e pouquíssimas úteis), servi o jantar: Pescada Amarela e Arroz Tasmania Customizado. Sei que não cozinho tão bem quanto a dona desse blog aqui, que me faz salivar toda vez que passeio por lá, mas um dia chego lá!
Segue a receita do que eu fiz, que é muito fácil, óbvio, senão... delivery rules!

Pescada Amarela
1 kg de filé de pescada amarela
Azeite e Alcaparra a gosto

Coloque o peixe num pirex, bezunte de azeite (eu gosto de muito azeite - o peixe fica desmanchando) e alcaparra e cubra com papel alumínio. É tudo no olhômetro. Me sinto meio Jamie Oliver fazendo comida. kkkkk Deixe no forno por 30 minutos e retire o papel aluminio. Deixe mais alguns minutinhos para dourar e é só servir.

Arroz Tasmânia
3 xícaras de arroz
1xícara de amêndoa sem casca, torrada e cortada em tiras
1 xícara de champignon
1 xícara de champagne

Cozinhe o arroz normalmente e quando a água estiver secando, coloque as amêndoas, champignon e o champagne.Quando o arroz estiver seco, basta servir. Mais uma vez, tudo no olhômetro.
O importante é que ficou uma delícia, todo mundo repetiu e teve gente que queria levar uma quentinha pra casa. Se algum dia eu for capaz de cozinhar alguma coisa diferente disso, posto por aqui.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Trauma de Infância

Um belo dia meu pai resolveu comprar um papagaio. O bicho foi logo apelidado de Quito, que vivia com as penas das asas aparadas pra que não fugisse. Ele ficava no quintal, próximo a um coqueiro que tinha lá em casa, numa sombrinha simpática em que os cães Horácio, Raí e Godofredo adoravam cochilar.
O papagaio não sabia falar muita coisa e adorava gritar ÉÉÉÉÉ (no ritmo daquela música do Titãs: É, pode ser!  É, pode ser, pode ser, pode ser!) nos horários mais infelizes do mundo, como no meio da madrugada. Tenho certeza que Quito não era bem quisto só por mim, mas por toda a vizinhança. Meus irmãos adoravam levar o bicho para dentro de casa e coloca-lo em frente ao espelho. E ficava lá o retardado se bicando por horas seguidas. Quando se cansava, ia bicar qualquer um que estivesse perto.
Mas até aí, tudo bem. Eu não gostava do bicho, mas também não odiava. Se ele precisava de cuidado, comida ou até um pouco de atenção, eu me dispunha a descer as escadas e ficar um pouco com ele.  Mas um belo dia alguém ensinou o papagaio algumas palavrinhas além de dizer É. O vasto vocabulário de Quito compreendia os  nomes das pessoas lá de casa, a mandar as pessoas atenderem o telefone e a xingar.
Adivinha quais eram as únicas frases que Quito proferia a qualquer hora do dia?
Isabeeeeeeeeeeeeeel, vai atender o telefone!
Isabeeeeeeeeeeeeeel, vai tomar no cu!
Quando meus pais se separaram, a primeira providência foi  nao cortar mais as penas das asas do Quito. Não demorou muito e em pouco tempo eu voltei a ter paz.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Metallica: Eu fui!


Já falei bastante aqui no blog sobre música, crises de identidade musical, canções inesquecíveis... tenho certeza que minha relação com a música foi algo aprendido: venho de uma família de pessoas apaixonadas por ritmos. 
Meu pai é do tipo que chora quando escuta algum cantor que gosta muito. Minha mãe é capaz de passar horas curtindo uma música enquanto faz qualquer coisa. Lembro de ver meu avô, quando  eu ainda era pequena, colocar no toca discos os mais variados sons e cantar enquanto puxava os netos para dançar. Meu irmão mais velho também foi responsável por minha iniciação musical, mais especificamente em bandas de rock. 
E foi nessa época, por volta dos meus 14 anos, que fui apresentada ao Metallica. Cabe dizer aqui que neste período, vivi uma fase roqueira, em que andava de preto, usava coturno e só ouvia músicas de bandas como Metallica, Motorhead, Alice in Chains, Pearl Jam, Doors, Stones, Black Sabbath, Led Zepeplin, Offspring... essa fase 'revoltada' durou pouco. E dos vários grupos que ouvia na época, nunca deixou de estar no meu dia a dia as músicas do Metallica, Pearl Jam e Stones. Enter Sandman, Sad but true, The Unforgiven e Seek and Destroy nunca saíram das minhas seleções musicais.
Então... quando soube que exisita a possibilidade da banda vir ao Brasil em 2010, decidi ir ao show, com ou sem companhia, pois já tinha dado meu grito de liberdade quando fui para o Offspring sozinha no ano passado. Quando soube dos ingressos, não consegui comprar para o dia 30, data em que eu teria companhia para ir. Sem pensar duas vezes, comprei minha passagem, meu ingresso, reservei meu hotel e fui para São Paulo.
Nos dias que antecederam ao show fiquei um pouco receosa. Comecei a assistir vários shows da banda  e fiquei um pouco assustada com o pula pula e a pancadaria das "rodinhas" que se formavam na platéia. Quando soube que era o Sepultura que ia abrir o show... meu receio aumentou. Mas... com medo ou sem medo eu iria para o show do Metallica! Até consegui uma companhia, que desistiu já durante os minutos adicionais do segundo tempo. Eu não tinha para onde fugir. Iria para o Morumbi sozinha no dia seguinte.
Curtir o sábado em Sao Paulo com um dos meus grandes amigos foi ótimo  Aliás, vale dizer que eu gosto muito da cidade. Não sei como é o dia a dia de quem mora por lá... mas para quem está a passeio... o lugar é sempre perfeito.
No domingo, passei o dia no hotel, ainda me recuperando da balada da noite anterior. Enquanto vivia aquela rotina difícil de quem dormia e acordava, vi que estava passando no multishow o documentário Some Kind of Monster. Ali comecei a realmente a acordar e cair a ficha de que eu estaria em pouquíssimo tempo ali, vendo aqueles caras que eu adoro ao vivo e a cores! Quando terminou o programa, liguei o som e fiquei ouvindo as músicas até a hora de ir para o Morumbi.
Por volta das 7 da noite, liguei para o taxista que me levou para o hotel na noite anterior e pedi que me buscasse no hotel. Quando estávamos chegando, a chuva começou. Comprei minha capinha de chuva, uma latinha de cerveja e fui para a fila: eu estava prestes a assistir ao show do Metallica! Estava muito empolgada!
No domingo, o Morumbi nao estava lotado. Estava cheio, mas super tranquilo. Depois de um tempo já me posicionei para o show, que em logo em seguida começou. Enquanto isso, fiquei trocando idéia com 3 caras que estavam por ali e como bons fãs que eram, tinham ido no dia anterior. Foi ótimo. Quando o show começou... foi um verdadeiro momento recordar é viver. Esqueci que eu estava ali sozinha... fiquei extasiada... O show durou mais ou menos duas horas, mas a impressão que eu tive é que foram apenas 10 minutos. Tudo foi muito rápido. E quando terminou, fiquei com um gostinho imenso de quero mais. Ouvi várias músicas que gosto muito e algumas do novo album que não tive tempo de conhecer direito... mas foi muito bom ouvir e ver a banda tocando músicas que marcaram minha adolescência. E confesso, meus olhos se encheram de água várias vezes. FOI EMOCIONANTE!
Aliás, foi muito legal quando Hetfield se despediu,  e a galera começou a gritar. Daí ele disse: está faltando alguma coisa? Eu não toquei alguma música? E todo mundo gritou:  Seek and Destroy!
Voltei para o hotel super empolgada e fui dormir super tarde... simplesmente porque o show me deixou elétrica durante horas depois.... Seaaaaarching! Seek and Destroooooy!
A minha pergunta é: Quando eles voltam, hein?

Setlist do show:
Intro - Ecstasy of Gold
1. Creeping Death
2. Ride The Lightning
3. Fuel
4. Sad But True
5. The Unforgiven
6. That Was Just Your Life
7. The End Of The Line
8. Welcome Home (Sanitarium)
9. Cyanide
10. My Apocalypse
11. One
12. Master of Puppets
13. Fight Fire With Fire
14. Nothing Else Matters
15. Enter Sandman
16. Helpless
17. Hit The Lights
18. Seek And Destroy

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Atividade Paranormal


Eu já disse aqui que tenho pânico de filme de terror, né?
Mas enfim... às vezes não consigo resistir e acabo me metendo nessas enrascadas que me causam insônia, geralmente ás 3 da manhã, o que é aterrorizador depois que você assiste O Exorcismo de Emily Rose.
Ao assistir Atividade Paranormal, não poderia ser diferente.  O filme tem algumas cenas de barulhos inexplicáveis, lençois se movendo, pessoas sendo puxadas da cama...Vi o filme com minha amiga no meio da tarde, fiz várias coisas depois e de noite, dormi como uma pedra porque os remédios de labirintite são também contra insônia. Por volta de 2:40 da manhã acordei ouvindo um barulho de porta se abrindo e fechando seguidas vezes, na cozinha.
Já levantei assustada e o barulho continuava. Procurei o Zeca, meu guarda costas, e ele não estava no quarto. Imaginei que ele já estivesse lá lutando contra o invasor. Quando saí do quarto e entrei na sala, vi o cachorro naquele local suspeito: embaixo da mesa, olhando pra mim. Coincidentemente, o barulho parou.
Voltei para o quarto. O cão não me seguiu. Quando deitei na cama  e fechei os olhos, o barulho voltou com  intensidade um pouco maior. Desta vez, voltei sem fazer barulho algum e descobri que a atividade na minha cozinha, de paranormal, não tinha nada: Zeca estava tentando abrir a porta do armário, mas como ele não colocava força o bastante, ela se fechava em seguida e ele continuava tentando.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A primeira a gente nunca esquece...

Você se lembra da sua primeira vez?
Eu me lembro bem! Mas confesso que gostaria de esquecer.
Acho que eu era muito nova ainda quando aconteceu. Foi meio traumático. E é verdade quando dizem que dói. Dói mesmo!
Foi inusitado e inesperado. Pra mim, foi a primeira vez. Pra ele, pareceu ser uma coisa muito normal. Ele é do tipo de pessoa que só não faz isso com a mãe, avó e irmãs. De resto, tenho certeza que não deixa escapar nenhuma mulher que tenha atravessado seu caminho. Mas o problema é que ele não perguntou se eu queria. Simplesmente chegou e quando acabou, levantou e foi embora sem olhar para trás. E eu fiquei ali parada, sem entender como é que aquilo tinha acontecido comigo. Tão cedo. Eu não era assim tão madura (tinha uns 25 anos) para lidar com a situação. E confesso que até hoje não me sinto pronta.
Tudo aconteceu muito rápido...Foi num dia de trabalho. Desde aquela época eu já corria para casa para o cochilo depois do almoço. Lembro que estava muito calor em Brasília e não consegui dormir direito. Então, resolvi voltar logo para o trabalho. Quando entrei no carro, ainda no estacionamento do meu prédio, o avistei. Ele estava com um amigo. Vinha patinando, correndo e brincando. Tinha no máximo 9 anos de idade. Nem me viu! Mas eu fiquei ali parada, com o ar condicionado ligado, assistindo a cena, lembrando de um tombo horrível que tinha levado há pouco tempo patinando no parque da cidade. Quando eu comecei a dar ré, ele caiu, bem próximo a mim.
Eu parei o carro, abri o vidro e perguntei:
- Você se machucou?
- Não, foi só um susto mesmo, não se preocupe.
Ele se levantou rapidamente com a energia que crianças tiram não sei de onde e enquanto eu me preparava para continuar a dar ré e subir o vidro do carro ele falou as palavras dantes nunca ouvidas, que até hoje ecoam na minha cabeça:
- Ê tia, assustou, né?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Feeling


Hoje pela manhã, acordei para ir ao médico entregar os exames para saber que rumo vai tomar minha vida depois da labirintite. Como era perto de casa e não posso dirigir, fui caminhando. Antes de sair, não sei ao certo porque, mas resolvi colocar um dos pufs da minha sala em cima da cadeira que o Zeca adotou como dele. E fui embora. Quando estava a alguns metros do meu prédio, senti uma vontade imensa de voltar. Fiquei imaginando que algo poderia acontecer com o Zeca, que o puf poderia cair em cima dele... sei lá... queria muito voltar. Mas como estava atrasada, corri para a clínica e decidi passar em casa antes de vir para o trabalho.
Fiz minha consulta, tive que repetir alguns exames porque o ruído da rua atrapalhou o resultado de alguns que estavam mensurando meu nervo auditivo e ouvido interno, remarquei a consulta para outro dia e voltei para casa.
Quando abri a porta, Zeca veio correndo na minha direção, faceiro como sempre. Olhei de relance e vi que o puf estava no lugar, então tava tudo certo. Nesse momento, o cérebro do meu cachorro, que faz ele querer pensar (mas não consegue pensar), deve ter lembrado que ele fez alguma coisa de errado e o animal correu para debaixo da mesa, seu refúgio quando faz merda.
Olhei para a cozinha e vi o estrago: quando saí correndo e atrasada para minha consulta, esqueci de trancar a geladeira (leia-se: passar fita crepe na porta), ele abriu e acabou com a pizza de chocolate que estava lá dentro e comeu minhas nectarinas.
Ah se eu tivesse voltado na hora que minha intuição mandou...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ironia do destino

Passei a última semana, a primeira do ano, de licença médica. Motivo: estou com uma crise de labirintite. Nunca tinha tido na vida e posso dizer que espero nunca mais passar por isso. Hoje é o primeiro dia em que me sinto bem em 9 dias.
Pra quem não sabe como é, vou dar um exemplo: sabe quando você está de ressaca, fica enjoado e tonto o tempo todo? Pois é, me senti assim. A sensação que eu tinha é que tudo estava em suspenso. E às vezes, eu enxergava como aqueles efeitos de imagem de filmes, em que filmam de longe, colocam o zoom e depois afastam novamente, ajustando a imagem, sabe? Imagine isso por 9 dias. 9 dias!
No início, não conseguia ficar na frente da tv, ouvir música, ler ou ficar em frente ao computador (por isso minha ausência do blog). No final da semana passada, consegui voltar a ver filmes e seriados, o que me ajudou a passar o tempo. A única vantagem é que minha cabeça viajou e eu pensei em vários textos, que vou postando aqui durante a semana.
Mas o que posso dizer é que levei uma vida muito parecida com a do meu cão: a gente dormia, acordava. Dormia, acordava. Abria a geladeira. Dormia, acordava. Dormia, acordava. Nesses dias em casa, descobri outras estripulias do ser de 4 patas, e a grande diferença das nossas rotinas (minha e do Zeca) é que eu tomo banho diariamente, não como ração e não faço xixi ou cocô passeando na minha quadra. De resto, a nossa sintonia foi absurda.
Dentre as coisas que tanto pensei nesses dias, posso destacar a grande ironia pela qual estou passando. Meu último texto de 2009 foi sobre o que eu espero neste ano que está começando. E das poucas coisas que eu espero posso dizer que já comecei bem: não é muita sacanagem você pedir equilíbrio e ficar completamente desequilibrada da forma mais literal na definição da palavra? Vou ter que parafrasear Rob Gordon e dizer: ô fase!